A Rebeca tem quinze anos e nasceu sem as duas mãos e sem as duas pernas. Nunca deu um passo na vida.
Quem carrega ela dentro de casa é a irmã, no colo. A cadeira que ela tem já tá velha, quebrada, e sem as mãos ela também não consegue empurrar sozinha.
A mãe cria os três filhos sozinha. Sai pra lavoura antes do sol nascer e volta quando já tá escuro. O caçula, o Theo, tem seis anos e é especial, e precisa dela grudado o dia inteiro.
Mesmo assim, a Rebeca nunca aceitou ser só a menina que depende dos outros. Ela aprendeu a escrever, a desenhar, a pintar. Do jeito dela, com o que tem.
Daqui a quatro meses é a formatura. Pra ela, não é festa é a prova de tudo que ela venceu pra chegar viva até aqui. E ela carrega um sonho: atravessar aquele salão de pé, andando, pela primeira vez na vida.
Pra isso, faltam duas coisas. Uma cadeira motorizada, que ela controla sozinha a primeira vez que ela ia poder ir e vir sem precisar de ninguém no colo. E a prótese, que é o que coloca ela de pé pra caminhar até o palco.
Juntas, custam muito além do que a mãe junta em anos de lavoura. E o calendário não espera: são quatro meses.
A Rebeca passou quinze anos provando que dá conta.
Essa é a única parte que a vontade dela, sozinha, não alcança.
Se quiser, venha conosco aqui em baixo, e faça parte dessa caminhada!